domingo, 28 de junho de 2009

IMPORTÂNCIA DO HOJE



Aí um dia você toma um avião para Paris, a lazer ou a trabalho, em um vôo da Air France, em que a comida e a bebida têm a obrigação de oferecer a melhor experiência gastronômica de bordo do mundo, e o avião mergulha para a morte no meio do Oceano Atlântico.
Sem que você perceba, ou possa fazer qualquer coisa a respeito, sua vida acabou.
Numa bola de fogo ou nos 4 000 metros de água congelante abaixo de você naquele mar sem fim.
Você que tinha acabado de conseguir dormir na poltrona ou de colocar os fones de ouvido para assistir ao primeiro filme da noite ou de saborear uma segunda taça de vinho tinto com o cobertorzinho do avião sobre os joelhos.
Talvez você tenha tido tempo de ter a consciência do fim, de que tudo terminava ali. Talvez você nem tenha tido a chance de se dar conta disso. Fim.
Tudo que ia pela sua cabeça desaparece do mundo sem deixar vestígios. Como se jamais tivesse existido. Seus planos de trocar de emprego ou de expandir os negócios. Seu amor imenso pelos filhos e sua tremenda incapacidade de expressar esse amor. Seu medo da velhice, suas preocupações em relação à aposentadoria. Sua insegurança em relação ao seu real talento, às chances de sobrevivência de suas competências nesse mundo que troca de regras a cada seis meses. Seu receio de que sua mulher, de cuja afeição você depende mais do que imagina, um dia lhe deixe. Ou pior: que permaneça com você infeliz, tendo deixado de amá-lo. Seus sonhos de trocar de casa, sua torcida para que seu time faça uma boa temporada. Suas noites de insônia, essa sinusite que você está desenvolvendo, suas saudades do cigarro. Os planos de voltar à academia, a grande contabilidade (nem sempre com saldo positivo) dos amores e dos ódios que você angariou e destilou pela vida, as dezenas de pequenos problemas cotidianos que você tinha anotado na agenda para resolver assim que tivesse tempo. Bastou um segundo para que tudo isso fosse desligado. Para que todo esse universo pessoal que tantas vezes lhe pesou toneladas tenha se apagado.
Como uma lâmpada que acaba e não volta a acender mais. Fim.
Então, aproveite bem o seu dia. Extraia dele todos os bons sentimentos possíveis. Não deixe nada para depois. Diga o que tem para dizer.Demonstre. Seja você mesmo. Não guarde lixo dentro de casa, nem dentro de você. Não cultive amarguras e sofrimentos. Prefira o sorriso. Dê risada de tudo, de si mesmo.
Não adie alegrias nem contentamentos nem sabores bons. Seja feliz. Hoje. Amanhã é um mistério. Ontem é passado.
No fundo, só existe o HOJE.


Adriano Silva - 04/06/2009 - Revista Exame
Texto recebido por e-mail da amiga Maby

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O peso que a gente leva...

O peso que a gente leva...
Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado?

As perguntas são muitas... E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez?

Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu pra nada.

É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence.

E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!” Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo. Ao ver o mundo que não é meu, eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É conseqüência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.

É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.

Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver. Por isso é tão necessário partir. Sair na direção das realidades que nos ausentam. Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamúrias... Hospitais, asilos, internatos...

Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não dói na nossa carne, mas que de alguma maneira pode nos humanizar.

Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro. Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve.

Pe. Fábio de Melo
16/06

Contrários



Só quem já provou a dor
Quem sofreu, se amargurou
Viu a cruz e a vida em tons reais
Quem no certo procurou
Mas no errado se perdeu
Precisou saber recomeçar

Só quem já perdeu na vida sabe o que é ganhar
Porque encontrou na derrota o motivo para lutar
E assim viu no outono a primavera
Descobriu que é no conflito que a vida faz crescer

Que o verso tem reverso
Que o direito tem avesso
Que o de graça tem seu preço
Que a vida tem contrários
E a saudade é um lugar
Que só chega quem amou
E que o ódio é uma forma tão estranha de amar

Que o perto tem distâncias
Que esquerdo tem direito
Que a resposta tem pergunta
E o problema solução
E que o amor começa aqui
No contrário que há em mim
E a sombra só existe quando brilha alguma luz.

Só quem soube duvidar
Pôde enfim acreditar
Viu sem ver e amou sem aprisionar
Quem no pouco se encontrou
Aprendeu multiplicar
Descobriu o dom de eternizar

Só quem perdoou na vida sabe o que é amar
Porque aprendeu que o amor só é amor
Se já provou alguma dor
E assim viu grandeza na miséria
Descobriu que é no limite
Que o amor pode nascer


Pe. Fábio de Melo

ELEGÂNCIA



Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara : a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.
Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante não ficar espaçoso demais.
É elegante, você fazer algo por alguém , e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer...
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição...
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do Gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.
É elegante a gentileza,.atitudes gentis falam mais que mil imagens...
...Abrir a porta para alguém...é muito elegante
...Dar o lugar para alguém sentar...é muito elegante
...Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...
...Oferecer ajuda...é muito elegante
...Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente elegante
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.
A saída é desenvolver em si mesma a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que "com amigo não tem que ter estas frescuras".
Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la.
Educação enferruja por falta de uso.
E, detalhe : não é frescura.

Toulouse Lautrec

domingo, 31 de maio de 2009

PESSOAS DIAMANTES


"A felicidade é a única coisa que podemos dar sem possuir". (Voltaire)



Sabe aquela pessoa com quem temos pontos discordantes?

Ela é muito importante, pois a presença dela nos alerta para que não cometamos erros grosseiros nas horas decisivas.

Se todos dissessem sim a nossos projetos certamente existiria algo errado.

Aqueles que sempre apontam nossas falhas, na verdade, são nossos benfeitores.

Os obstáculos são degraus preciosos para o nosso crescimento.

Como vencer sem esforço?

Como sorrir de felicidade sem a lágrima do sacrifício?

O operário só valoriza o salário quando lhe custa o suor do esforço.

Dizem que tudo que nos chega às mãos facilmente, em breve tempo perde a importância.

Mesmo nos relacionamentos afetivos, é necessário aprendermos a valorizar aqueles que caminham conosco na vida.

Perdemos preciosas "pessoas diamantes" que estão ao nosso lado, acreditando-nos auto-suficientes para tudo.

Não pode existir relacionamento fácil em se tratando de pessoas, pois cada uma compreende a vida à sua maneira.

Achamos sempre o diamante dos outros melhor que o nosso.

Com essas atitudes podemos acabar com um pedregulho nas mãos.

Nossa insatisfação crônica pode nos vendar os olhos, a ponto de não enxergarmos que estamos sentados sobre uma mina de diamantes.

Sentimentos como esses são frutos do orgulho.

Devemos parar de cobrar dos outros aquilo que ainda não temos condições de dar.

É importante que paremos de trocar sentimentos e afetos.

Cada um dá o que tem, o que pode, o que sente.

Não podemos pedir que as pessoas nos dêem a afetividade que acreditamos merecer.

A espontaneidade afetiva nos relacionamentos é fundamental para o equilíbrio em nossa vida.

Será que já fizemos brotar a afeição sincera no coração daqueles de quem cobramos uma nova atitude conosco?

Precisamos nos deter mais nas qualidades, ou seja, no brilho especial de algumas "pessoas diamantes" que enriquecem a nossa vida.

Em outras palavras, precisamos dar mais e cobrar menos.

Amar mais, amar sempre, quem ama sem cobrança não tem tempo para procurar diamantes que muitas vezes só existem

dentro de nossa imaginação.

É preciso tomar cuidado, pois na vida temos riquezas que só quando perdemos damos o devido valor.

Dizem que macaco que pula de galho em galho quer chumbo.

Na ânsia de conquistar diamantes no mundo, podemos ficar rodeados por enormes paralelepípedos.

Adeilson Sales
Texto recebido da amiga Eline por e-mail

domingo, 19 de abril de 2009

DEIXE-ME NASCER - Celina Borges



Oi, tô feliz!
Mãe, você ainda nem deve saber
Sou pequeno mas estou aqui
É tão seguro, há tanto calor
Ah! Como é bom... Doce lugar de amor

Sim, vou crescer!
E um dia correndo pra ti
Pular em teu colo e sorrir
Te dar um beijo e agradecer
Aquele tempo que em ti, Deus quis me tecer

Deixe-me nascer, já tenho um coração!
Deixe-me te amar, de uma chance!
Posso provar... Sou de Deus, quero amar!

Mãe, o que é que foi?
Eu incomodo você!?
O que nos pretende fazer?
Mas mesmo assim, se ainda não me aceitar,
No céu pra você vou orar

Te dar um beijo e agradecer
Aquele tempo que em ti, Deus quis me tecer

Deixe-me nascer, já tenho um coração!
Deixe-me te amar, de uma chance!
Posso provar... Sou de Deus, quero amar!
(Quero viver)


http://www.youtube.com/watch?v=RvWbxTgpIAg


EL CORAZÓN DEL SER HUMANO ES UN MÚSCULO, PERO MUCHAS VECES PARECE UNA ROCA IMPENETRABLE. EL ACTO DE DAR A LOS DEMÁS NOS HACE HUMANOS. DEMOSTREMOS QUE, DENTRO DE NUESTRO PECHO, UN ÓRGANO DEL TAMAÑO DE UN PUÑO BOMBEA SANGRE QUE HACE QUE SE ABRA EN UNA MANO QUE SE EXTIENDE HACIA EL PRÓJIMO.

Frase recebida por e-mail da amiga Maby