domingo, 3 de outubro de 2010

HÁLITO DE PRIMAVERA


Minha pele alva
possui além do
óleo essencial da vida
o poema mais perfumado...
.
Gotas da tua saliva
estão impregnadas em cada poro,
vapor dos teus beijos florais...
Hálito de primavera.
.
BEBE

Leitura


Ando com os olhos cansados
Das leituras dos jornais,
Infectam mentes esclarecidas
Ou não, deixam olhos sem esperança!

Vejo as águas do rio correndo para o mar,
Flores que crescem no jardim, matas
campinas e nas pedras das montanhas,
O céu azul e o verde das árvores e relvas
E samambaias da varanda, a renovação
Das montanhas.

De nada vale leituras sarcásticas!
Perco tempo deixando de ouvir o cantar dos
Pássaros, notícias que os pombos nos trazem,
O vôo das andorinhas, anúncio em folhas verdes
Das minhas mangueiras.

Não quero informações perniciosas,
Pervertidas e mentirosas,
Cansei-me de notícias enganosas!

Marta Peres
Fonte: orebate-martaperes.blogspot.com/2008_01_01_archive.html

Amar Bonito



Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar:
Aprendam a fazer bonito seu amor.
Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito.
Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito.
Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender...
Tenho visto muito amor por aí.
Amores mesmo: bravios, gigantescos, descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva.
Mas esbarram na dificuldade de se tornar bonitos.
Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção.
Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.
Aí, esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais, de repente se percebem ameaçados e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram, exigem, rotinizam, descuidam, reclamam, deixam de compreender, necessitam mais do que oferecem, precisam mais do que atendem, enchem-se de razões.
Ter razão é o maior perigo no amor.
Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reivindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão.
Nem queira!!!
Ter razão é um perigo: em geral, enfeia um amor,
pois é invocado com justiça, mas na hora errada.
Amar bonito é saber a hora de ter razão.
Ponha a mão na consciência. Você tem certeza de que está fazendo o seu amor bonito?
De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro a maior beleza possível?
Talvez não.
Cheio ou cheia de razões, você separa do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer.
Quem espera mais do que isso sofre e, sofrendo, deixa de amar bonito.
Sofrendo, deixa de ser alegre, igual, irmão, criança.
E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito.
Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia.
Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama.
Saia cantando e olhe alegre.
Recomenda-se: encabulamentos, ser pego em flagrante gostando, não se cansar de olhar e olhar, não atrapalhar a convivência com teorizações, adiar sempre se possível com beijos 'aquela conversa importante que precisamos ter', arquivar, se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida.
Para quem ama, toda atenção é sempre pouca.
Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda a atenção possível.
Quem ama bonito não gasta tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter.
Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine cheia de brinquedos dos nossos sonhos);
não teorize sobre o amor, ame.
Siga o destino dos sentimentos aqui e agora.
Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como:
a sinceridade, abrir o coração, contar a verdade do tamanho do amor que sente;
não dar certo e depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito).
Jogue pro alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabiamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser.
Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs.
Falando besteiras, mas criando sempre.
Gaguejando flores.
Sentindo o coração bater como no tempo do Natal infantil.
Revivendo os caminhos que intuiu em criança.
Sem medo de dizer eu quero, eu estou com vontade.
Deixe o seu amor ser a mais verdadeira expressão de tudo que você é.
Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto.
Não se preocupe mais com ele e suas definições.
Cuide agora da forma do amor:
Cuide da voz.
Cuide da fala.
Cuide do cuidado.
Cuide de você.
Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.

Artur da Távola

QUEM NAMORA


Quem namora agrada a Deus.
Namorar é a forma bonita de viver um amor.
Não namora quem cobra nem quem desconfia.
Namora, quem lê nos olhos e sente no coração
as vontades saborosas do outro.


Namora, quem se embeleza em estado de amor.
Namora, quem suspira, quem não sabe esperar mas espera,
quem se sacode de taquicardia e timidez diante da paixão.
Namora, quem ri por bobagem, quem sente frios e calores
nas horas menos recomendáveis.


Não namora quem ofende, quem transforma
a relação num inferno, ainda que por amor.
Amor às vezes entorta, sabia?
E quando acontece, o feito pra bom faz-se ruim.
Não namora quem só fala em si e deseja o parceiro
apenas para a glória do próprio eu.


Não namora quem busca a compreensão
para a sua parte ruim.
O invejoso não namora. Tampouco o violento!
Namorados que se prezam têm a sua música.
E não temem se derreter quando ela toca.
Ou, se o namoro acabou, nunca mais dela se esquecem.


Namorados que se prezam gostam de beijo, suspiro,
morderem o mesmo pastel, dividir a empada, beber no
mesmo copo. Apreciam ternurinhas que matam de vergonha
fora do namoro ou lhes parecem ridículas nos outros.


Por falar em beijo, só namora quem beija de mil maneiras
e sabe cada pedaço e gostinho da boca amada. Beijo de
roçar, beijo fundo, inteirão, os molhados, os de língua,
beijo na testa, no seio, na penugem, beijo livre como o
pensamento, beijo na hora certa e no lugar desejado. Sem
medo nem preconceito. Beijo na face, na nuca e aquele
especial atrás da orelha, no lugar que só ele ou ela
conhece.


Namora, quem começa a ver muito mais no mesmo
que sempre viu e jamais reparou. Flores, árvores, a santidade, o perdão, Deus,
tudo fica mais fácil para quem de verdade sabe o que é namorar.
Por isso só namora quem se descobre dono de um lindo amor.


Só namora quem não precisa explicar, quem já começa a
falar pelo fim, quem consegue manifestar com clareza e
facilidade tudo o que fora do namoro é complicado.


Namora, quem diz: "Precisamos muito conversar"; e quem é
capaz de perder tempo, muito tempo, com a mais útil das
inutilidades e pensar no ser amado, degustar cada
momento vivido e recordar palavras, fotos e carícias com
uma vontade doida de estourar o tempo e embebedar-se de
flores astrais.


Namora, quem fala da infância e da fazenda das férias,
quem aguarda com aflição o telefone tocar e dá um salto
para atendê-lo antes mesmo do primeiro "trim". Namora,
quem namora, quem à toa chora, quem rememora,
quem comemora datas que o outro esqueceu.
Namora, quem é bom, quem gosta da vida,
de nuvem, de rio gelado e parque de diversões.


Namora, quem sonha, quem teima, quem vive morrendo de
amor e quem morre vivendo de amar.

Artur da Távola

Falando com o Coração


O amor maduro não é menor
em intensidade
Ele é apenas silencioso
Não é menor em extensão
É mais definido, colorido e
poetizado


Não carece de demonstrações;
presenteia com a verdade do
sentimento


Não precisa de presenças
exigidas
Amplia-se com as ausências
significantes


O amor maduro tem e quer
problemas, sim como tudo,
Mas vive dos problemas da
felicidade.
Problemas da felicidade são
formas trabalhosas de
construir o bem e o prazer
Problemas da infelicidade
não interessam ao amor
maduro


Na felicidade está o encontro
de peles, o ficar com gosto
da boca e do cheiro, está a
compreensão antecipada, a
adivinhação, o presente de
valor interior, a emoção vivida
em conjunto, os discursos
silenciosos da percepção, o
prazer de conviver, o equilíbrio
de carne e de espírito


O amor maduro é a
valorização do melhor do outro
e a relação com a parte salva
de cada pessoa
Ele vive do que não morreu
mesmo tendo ficado para depois


Vive do que fermentou, criando
dimensões novas para
sentimentos antigos, jardins
abandonados, cheios de
sementes


Ele não pede...tem
Não reivindica...consegue
Não percebe...recebe
Não exige...dá
Não pergunta...adivinha
Existe, para fazer feliz


O amor maduro cresce
na verdade e se esconde a
cada auto-ilusão


Basta-se com o todo do pouco
Não precisa nem quer
nada do muito
Está relacionado com a vida
e sua incompletude, por isso
é pleno em cada ninharia por
ele transformada em paraíso


É feito de compreensão,
música e mistério
É a forma sublime de ser
adulto
E a forma adulta de ser
sublime e criança


É o sol de outono
Nítido mas doce...
Luminoso sem ofuscar...
Suave mas definido...
Discreto mas certo...
Um sol, que aquece até
queimar...

Artur da Távola

Me Olvidé de Vivir



De tanto correr por la vida sin freno
Me olvidé que la vida se vive un momento
De tanto querer ser en todo el primero
Me olvidé de vivir los detalles pequeños.

De tanto jugar con los sentimientos
Viviendo de aplausos envueltos en sueños
De tanto gritar mis canciones al viento
Ya no soy como ayer, ya no se lo que siento

Me olvidé de vivir
Me olvidé de vivir
Me olvidé de vivir
Me olvidé de vivir

De tanto cantarle al amor y la vida
Me quede sin amor una noche de un día
De tanto jugar con quien yo más quería
Perdí sin querer lo mejor que tenía.

De tanto ocultar la verdad con mentiras
Me engañé sin saber que era yo quien perdía
De tanto esperar, yo que nunca ofrecía
Hoy me toca llorar, yo que siempre reía.

Me olvidé de vivir
Me olvidé de vivir
Me olvidé de vivir
Me olvidé de vivir

De tanto correr por ganar tiempo al tiempo
Queriendo robarle a mis noches el sueño
De tanto fracasos, de tantos intentos
Por querer descubrir cada día algo nuevo.

De tanto jugar con los sentimientos
Viviendo de aplausos envueltos en sueños
De tanto gritar mis canciones al viento
Ya no soy como ayer, ya no se lo que siento.

Me olvidé de vivir
Me olvidé de vivir
Me olvidé de vivir
Me olvidé de vivir

Julio Iglesias

Abrázame



Abrázame
Y no me digas nada, sólo abrázame
Me basta tu mirada para comprender
que tú te iras.

Abrázame,
como si fuera ahora la primera vez
Como si me quisieras hoy igual que ayer
Abrázame.

Si tú te vas
Te olvidarás que un día hace tiempo ya
Cuando éramos aun niños me empezaste a amar
Y yo te di mi vida, si te vas.

Si tú te vas
Ya nada será nuestros tú te llevarás
En un solo momento una eternidad
Me quedaré sin nada, si te vas.

Abrázame
Y no me digas nada, sólo abrázame
No quiero que te vayas pero sé muy bien
que tú te irás.

Abrázame
como si fuera ahora la primera vez,
como si me quisieras hoy igual que ayer
Abrázame...

Si tú te vas
me quedará el silencio para conversar,
la sombra de tu cuerpo y la soledad
serán mis compañeras, si te vas.

Si tú te vas
Se irá contigo el tiempo y mi mejor edad
Te seguiré queriendo cada día más
Esperaré a que vuelvas, si te vas.

Julio Iglesias / Rafael Ferro