domingo, 27 de dezembro de 2009


"Eu gosto do impossível, tenho medo do provável,
dou risada do ridículo e choro porque tenho vontade,
mas nem sempre tenho motivo.
Tenho um sorriso confiante
que às vezes não demonstra o tanto de insegurança por trás dele.
Sou inconstante e talvez imprevisível.
Eu amo de verdade aqueles pra quem eu digo isso,
e me irrito de forma inexplicável quando não botam fé nas minhas palavras.
Nem sempre coloco em prática aquilo que eu julgo certo.
São poucas as pessoas pra quem eu me explico."



Bob Marley


Um dia desses, eu separo um tempinho
e ponho em dia todos os choros
que não tenho tido tempo de chorar."

Carlos Drumond de Andrade

Súbito


Nem posso dizer que fui feliz
não houve tempo para nada
enleada de suas palavras
envolta em desejos e sonho.
Nosso amor foi revoada
de pássaros em migração
ou miragem desses meus
sentidos cansados de tanta solidão?

Não houve tempo para nada
nem sei que músicas embalam
seu sono sem mim.
Nem sei se sonha ou se passa a noite
em claro, como tateio a madrugada
de saudade em saudade.

Inesperado, veio e se foi, súbito.
Pouco conheci de suas mãos
senão o fogo onde ardo, deixado
assim como nada, em meus vãos.
Pouco entendi dos silêncios seus
e, das palavras todas que me disse,
apenas uma ouço agora: Adeus!


blog Abrindo Janelas

Enredo triste



Por um tempo escuro e louco,
segui na tarefa de te esquecer.
Sondando caminhos de viver, segui
e eram névoas, os dias
e eram sombras, as noites.

Na solidão, qual estrela perdida, segui
lavrando em silêncio, a pedra fria da solidão.

Escondendo os lamentos, pelas ruas segui.

Segui por estes caminhos, em vão.
Tu não me amas, eu não te esqueço,
enredo triste de dor.

De que me serviu anuviar a alma
e sufocar o corpo, tentando apagar
as lembranças de ti?

Voltas, voltas sempre.
Nunca foste, nunca
e segui me enganando
na efêmera ilusão de te esquecer.



blog Abrindo Janelas

Espera

Fiquei aqui por horas
fiquei esperando o dia
na porta que não se abria
para os teus olhos de encontro.
Fiquei esperando o sol
que mora nos olhos teus
e não abrem mais os dias.
Fiquei aqui por horas
e a porta não se abria
nem o sol, nem os dias.

E agora,
nem sol,
nem hora,
nem dia.

Só o pranto.

(e os meus olhos
que sonham com os olhos teus).


(Blog Abrindo Janelas)


Espelho, espelho meu
Diga a verdade
Quem sou eu?
Se às vezes me estilhaço
Se às vezes viro mil
Se quero mudar o mundo
Se quero mudar o rosto
Se tenho sempre na boca
Um gosto de água e de céu
Se às vezes sou tão só
Quando me viro do avesso
Se às vezes anoiteço
Em plena luz do sol
Ou então amanheço
Com vontade de voar
Espelho, espelho meu
Diga a verdade, quem sou eu?

Roseana Murray


~~~~#~~~~


E se eu olhasse ao espelho
E não visse nada mais que o meu reflexo?
Qual seria o sentimento de
Perceber que realmente nada à minha volta existe?
Apenas ali, a minha pessoa, a minha imagem
Reflectida num fundo que não existe,
Rodeado de coisas imaginárias?

Por isso não olho para o espelho.
Não consigo suportar a ideia de que toda a imensidão
Que me rodeia, não existe.
E por isso não olho para o espelho.
Para me aperceber que vivo só, que estou só, que sou Só.
Não olho para o espelho.
Porque com azar,
Ainda descubro que nem eu tenho reflexo.

Gabriel Braga



domingo, 20 de dezembro de 2009


Que tal deixarmos o "bom velhinho" Papai Noel de lado e nos lembrarmos do Menino Jesus???

Natal é tempo de passar adiante a história do Menino

O Tempo de Advento anuncia que a celebração do Natal está próxima. É nosso desejo encontrar antigos e novos meios de entrar em sintonia com o Aniversariante, como também, dar mais atenção à dimensão espiritual em nossa vida. Que nossa fé se revele em obras de amor, fraternidade e solidariedade, na partilha dos dons que recebemos.

Nosso coração de criança está sempre atento para aprender e partilhar lições de vida. Natal é também ocasião de passar adiante histórias relativas ao nascimento do Menino de Belém. Transmitidas pelas primeiras comunidades cristãs e escritas pelos evangelistas chegaram até nós, através da Sagrada Escritura – a Bíblia. A linda história do Natal vem sendo contada e cantada de geração em geração e de muitas maneiras.

Transpondo as barreiras do tempo e espaço, você já se imaginou presente naquela noite de Natal e, do seu ponto de vista, contar o que aconteceu e sentiu?
Nosso grupo, “Prece e PALAVRA” fez essa experiência, em novembro de 2005. A cada cinco dias, sorteávamos os personagens do presépio. Cada membro do grupo era convidado a colocar-se no lugar de Maria, José, do Anjo, Estrela, Manjedoura... e contar a história do Natal daquele dia. Novos Contos foram surgindo.

- "Tudo imaginação", dirão alguns.
- "Contemplação amorosa e criativa", diremos nós.
Temos a alegria de apresentar-lhes alguns de nossos contos e deixar a sugestão: Experimente reunir a família, amigos ou alunos e lê-los em voz alta. Experimente repetir o que fizemos, para que cada um passe alguns dias em sintonia com o personagem sorteado e narre a história do seu ponto de vista.

Que esses momentos de contemplação, oração e partilha sejam caminhos que nos levem para mais perto de Jesus!

Ir. Zuleides Andrade, ASCJ
Curitiba-PR
Fonte:
http://www.apostolas-pr.org.br/

Sons natalinos


O clima de natal já tomou conta das ruas e das praças. O comércio estima que nestes dias as vendas cresçam em até 70%. Ano passado foi o natal da crise. Este ano tenho a sensação de que a coisa está um pouco melhor. Ao menos vejo que todos compram, compram e compram. Um presentinho é sempre um agrado oportuno no dia de natal. Mas melhor do que dar presentes é fazer-se presente.

Bem… nem tudo será festa neste natal. A COP15 que deveria encher a humanidade de esperanças neste final de década foi um imenso fracasso. Os anfitriões dinamarqueses foram incompetententes para gerir o encontro dos mais de 100 chefes de Estado. Obama foi um tímido que mostrou-se tomado pelo vírus norte-americano de não conseguir pensar além dos jardins da América… aliás, ele fala de América como se nós, aqui do sul, não fossemos americanos também. Este etnocentrismo pode matar o mundo que precisa ultrapassar o antropocentrismo e mesmo o teocentrismo fundamentalista e chegar ao “biocentrismo”. Ou seja, colocar a “vida” (bios) no centro. Sem isso estamos fadados à morte certa. Não será noite nem dia feliz para nossos netos e bisnetos. O calor se tornará insuportável. As praias desaparecerão. As florestas virarão desertos e serão recordadas nas fotografias. Viveremos a base de ar condicionado em ilusões virtuais.

Estou sendo pessimista? Apenas um pouco realista neste Natal. E em Brasília? Será que o cinismo vai vencer? Com tantas provas cabais, se os acertos políticos vencerem, então estamos realmente no fundo do poço. Alguém avisa para o sr. Arruda que ele está estragando a festa? Podem avisar para o seu vice e os outros 38 filhotes de Ali Babá? O povo é o “Aqui babando” de raiva por sentir-se otário. Fala-se já de “milhões” em propina. Será que tudo isso é devaneio? Ou é a cultura da corrupção que de tanto se repetir já se permitia roubar à luz do dia? Em outro canto do país um dono de cargo público mandava matar e noticiava seus crimes em programa de TV. Isto é o máximo do cinismo; é a falência do estado de direito.

E o Natal? Como cantar noite feliz? Jesus mal aprendeu a falar e pensar e já estava debatendo com os doutores no Tempo. Temos que seguir seus passos e debater com os doutores de hoje. Depois podemos cantar Noite Feliz… mas por favor: Jesus não quer dormir. Ao invés de cantar “dorme em paz, ó Jesus”… vamos cantar: “Acorda o Brasil, ó Jesus”… parece que ele ainda anda deitado eternamente em berço esplêndido!!!


Padre Joãozinho, scj

sábado, 12 de dezembro de 2009

Dias Melhores


Vivemos esperando
Dias melhores
Dias de paz, dias a mais
Dias que não deixaremos
Para trás
Oh! Oh! Oh! Oh!...

Vivemos esperando
O dia em que
Seremos melhores
(Melhores! Melhores!)
Melhores no amor
Melhores na dor
Melhores em tudo
Oh! Oh! Oh!...

Vivemos esperando
O dia em que seremos
Para sempre
Vivemos esperando
Oh! Oh! Oh!
Dias melhores prá sempre
Dias melhores prá sempre
(Prá sempre!)...

Vivemos esperando
Dias melhores
(Melhores! Melhores!)
Dias de paz
Dias a mais
Dias que não deixaremos
Para trás
Oh! Oh! Oh!...

Vivemos esperando
O dia em que
Seremos melhores
(Melhores! Melhores!)
Melhores no amor
Melhores na dor
Melhores em tudo
Oh! Oh! Oh!...

Vivemos esperando
O dia em que seremos
Para sempre
Vivemos esperando
Oh! Oh! Oh!...

Dias melhores
Prá sempre...(4x)

Uh! Uh! Uh! Oh! Oh!
Prá sempre!
Sempre! Sempre! Sempre!...

Jota Quest
Composição: Rogério Flausino

Meu Universo

Que sejas meu universo
Não quero dar-te só um pouco do meu tempo
Não quero dar-te um dia apenas da semana

Que sejas meu universo
Não quero dar-te as palavras como gotas
Quero que saia um dilúvio de bençãos da minha boca

Que sejas meu universo
Que sejas tudo o que sinto e o que penso
Que de manhã seja o primeiro pensamento
E a luz em minha janela

Que sejas meu universo
Que enchas cada um dos meus pensamentos
Que a tua presença e o teu poder sejam alimento
Jesus este é o meu desejo

Que sejas meu universo
Não quero dar-te só uma parte dos meus anos
Te quero dono do meu tempo e dos meus planos

Que sejas meu universo
Não quero a minha vontade
Quero agradar-te
E cada sonho que há em mim quero entregar-te


Composição: Jesus A. Romero - Vrsão: PG

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

No Meio de Nós

Tem dias que a gente sai por aí
Deixando a vida nos levar
Só pensando apenas em ir
Tanto faz se apressado ou devagar
De repente, se você se sente infeliz
Ao achar que não desata os seus nós
Uma força maior vem e diz
Que pela fé alguém está ao lado de nós

Está presente no menor dos grãos de areia
Na mais alta de todas as montanhas
Numa gota d'água, de sangue e semente
Num pedaço de pão, na luz, na escuridão
No céu e no chão

Eu sinto e vejo Seus sinais
Aonde vou, tão claramente
Tenho certeza, amigo, não estamos sós
Em todo canto Ele está
As formas são bem diferentes
Aonde e como estiver, sei que Ele está
No meio de nós

Assim vou caminhando sem temer
Todo som tem a Sua voz
E como é sábia para cada porquê
Ele está, Ele está
No meio de nós

Pe. Fábio de Melo

domingo, 25 de outubro de 2009

­Quando O Sol Bater Na Janela Do Teu Quarto


Quando o sol bater
Na janela do teu quarto
Lembra e vê
Que o caminho é um só.
Porque esperar se podemos começar tudo de novo
Agora mesmo
A humanidade é desumana
Mas ainda temos chance
O sol nasce pra todos
Só não sabe quem não quer.
Quando o sol bater
Na janela do teu quarto
Lembra e vê
Que o caminho é um só.
Até bem pouco tempo atrás
Poderíamos mudar o mundo
Quem roubou nossa coragem?
Tudo é dor
E toda dor vem do desejo
De não sentimos dor.
Quando o sol bater
Na janela do teu quarto
Lembra e vê
Que o caminho é um só.

Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

BURJ DUBAI


É mais fácil de longe imaginar
o que seria ter-te aqui presente
do que seria ter-te e não saber
com que forma de corpo receber-te.
Talvez um amplo véu oriental
ou o brilho mental de uma armadura
me deixassem arder sem ser molesto
no lume horizontal de uma figura.
Se te vejo, já está o meu desejo,
enquanto estavas longe, satisfeito,
no teu olhar encontro tudo quanto
à altura de amor é mais perfeito.
E no entanto, perto, fico incerto
se não é melhor bem o que imagino.

António Franco Alexandre

A Arte de Ouvir


Sempre que me perguntam quais são os atributos diferenciados de um líder, procuro ressaltar dois: estar disponível e saber ouvir. A meu ver, são os essenciais. Manter-se disponível exige disciplina, generosidade e, principalmente, sentir desejo de estar com as pessoas. Quem se esconde atrás da agenda lotada não lidera. Ela serve de desculpa para não ter de apoiar, educar, elogiar e para não ter de ouvir!

A complexidade do mundo moderno exige que os problemas sejam abordados coletivamente. Praticar a arte de ouvir quer dize estar atento aos detalhes de cada questão apresentada, às sutilezas de cada problema e ao que cada situação tem de única. Essa prática exige concentração, disponibilidade, rapidez de raciocínio e poder de síntese. Olhe em sua volta. Quem é a pessoa com quem você gosta de conversar quando precisa de uma opinião? Provavelmente, a resposta será um bom ouvinte. Aliás, é preciso aprender ouvir ativamente. Porque também existem os ouvintes passivos, que olham para você como se estivessem prestando atenção, mas que estão com a cabeça em outro lugar. Quem ouve ativamente participa da conversa, indaga, estimula, pede explicações mais detalhadas. Quem ouve atentamente torana digna e respeitosa a conversa. E por que toda essa preocupação com esse importante atributo da liderança? Porque estamos nos tornando surdos. Diariamente, lemos e respondemos e-mails calados. Nos ligamos a mais pessoas nas redes sociais, lemos o que elas escrevem e elas nos leem. Mas não as ouvimos! Algumas tecnologias de comunicação oral estão crescendo e o exercício de ouvir começa a voltar lentamente, mesmo doendo nos ouvidos.

Procure exercitar sua audição. No lugar do e-mail, vá até a pessoa com quem deseja falar, que às vezes está na sala ao lado. Faça isso periodicamente e exercite sua capacidade de ouvir. Mostre interesse. Essa combinação de disponibilidade associada ao ato de ouvir serve para tudo. Melhora relações pessoais, afina o respeito e cria uma consciência de parceria, que é fundamental neste complexo mundo moderno. Você me ouviu?

Luiz Carlos Cabrera Professor da Eaesp-FGV, diretor da PMC Consultores e membro da Amrop Hever Group Texto da Revista Você S/A - edição 136 - outubro 2009

domingo, 11 de outubro de 2009

Quem Dera

QUEM DERA FOSSE EU
QUE MERECESSE TEUS DESEJOS
QUE FOSSE A ÚNICA A TE OLHAR
QUE FOSSE O ESPELHO A TE MIRAR
QUANDO VOCÊ QUER SE MOSTRAR

QUEM DERA FOSSEM MEUS
OS LÁBIOS QUE RECEBEM BEIJOS TEUS
QUE EU FOSSE O CORPO A TE ABRAÇAR
COMO UMA INTRUSA A TE TOCAR
SEM LIMITES PRA TE AMAR

MAIS É DIFÍCIL ENTENDER
POR ONDE VAI TEU CORAÇÃO
ENQUANTO EU GUARDO NO PEITO
EM SEGREDO, EM SILÊNCIO, ESSA LOUCA PAIXÃO

QUE FEZ VOCÊ DE MIM NUNCA FUI ASSIM
SEM MEUS PÉS NO CHÃO NESSA SOLIDÃO
ME ILUDINDO, TE AMANDO EM FANTASIAS

QUE FEZ VOCÊ DE MIM PRA TE AMAR ASSIM
SEM SABER CHEGAR, SEM SABER PARTIR
EU NEM SEI, SE É VERDADE OU ILUSÃO
ESSA PAIXÃO NO CORAÇÃO

Alcione

AMOR BASTANTE


quando eu vi você
tive uma ideia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto

Paulo Leminski

O ipê à beira da estrada


Não quero perder a capacidade de admirar as belezas do mundo. O ipê florido à beira da estrada é um imperativo que reconheço bíblico. Nele há uma fala de Deus me pedindo calma. A sacralidade da vida ganhou voz em estruturas singelas, e solicita que eu me proste.

É santo o que os meus olhos enxergam. A cor amarela encontra moldura no azul dos contornos do céu. Ao longe, o verde completa o quadro. Paira sobre a cena um mistério raro, como se houvesse uma névoa a me recordar que a raridade da beleza é uma epifania divina.

O meu desejo é deixar de seguir o caminho que me leva ao meu destino. Impossibilitado da parada, ouso diminuir a marcha. Quero a cena dentro de mim. Ouso rezar a Deus que me permita registrar na memória a beleza que não posso aprisionar.

Olho para os que passam. A velocidade dos carros não permite que os seus ocupantes vejam o que vejo. Eles estão privados da mística que só pode ser compreendida quando os passos perdem a pressa. Estão ocupados demais com suas urgências práticas. É preciso chegar. Há muitas iniciativas a serem tomadas e o tempo não pode ser perdido.

Enquanto isso, o ipê se ocupa de sua florada amarela. Cumpre no tempo a proeza de ser um sentido oculto e deslumbrante para os distraídos que o percebem.

Nele há uma pequena parte da beleza do mundo que tive a graça de descobrir. E só por isso diminuí o ritmo da minha vida.

Olhei com calma para sua beleza e nele percebi o sorriso do Criador. Sorriso de Pai, que vez em quando, faz questão que seus filhos diminuam suas velocidades para uma breve brincadeira redentora.

Eu aceitei. Brinquei com Ele. Fiquei mais feliz!

Padre Fábio de Melo
www.fabiodemelo.com.br

SEJA ESPECIAL NA COMPETÊNCIA


Ninguém mais engana ninguém. Ninguém engana mais um cliente desavisado. Ninguém engana mais a vida, que sempre nos devolve o resultado de nossa competência.

O mundo está repleto de oportunidades à sua espera! Para aproveitá-las, é preciso ter iniciativa e coragem para lutar por elas. O verdadeiro empreendedor sabe enxergar as oportunidades como uma águia e lutar como um leão. Mas, sobretudo, sabe que jamais pode desperdiçar uma oportunidade.

Na realidade, as oportunidades nunca são perdidas, pois, quando alguém não as aproveita, logo aparece outra pessoa disposta a fazer bom uso delas.

Aproveite as idéias que você teve nos últimos meses como uma fonte de inspiração, que o ajude a se transformar num empreendedor, num trabalhador apaixonado por suas tarefas e responsabilidades, num gerador de negócios, lucros e estabilidade social para sua família e seu país.

Muitas pessoas gastam tempo e energia para jogar a culpa de seus insucessos naqueles que as rodeiam, nas situações e circunstâncias periféricas, e não admitem a realidade. Vivem num mundo ilusório, com pensamentos amargos e estratégias equivocadas que nunca resolverão seus problemas. Podem até convencer os outros de que o mundo é muito cruel e injusto, mas nunca construirão a vitória.

O mundo profissional exige hoje competência total. Ninguém mais engana ninguém. Ninguém engana mais um cliente desavisado. Ninguém engana mais os concorrentes e, o que é mais dramático, ninguém engana mais a vida. A vida sempre nos devolve o resultado de nossa competência.

A competência é a base de tudo: conhecer a teoria e a prática de cada procedimento, dominar seus detalhes, nuances e variações. É também saber concretizar.

Se a vida não está como você planejou, é chegado o momento de parar e fazer uma profunda avaliação do modo e dos objetivos em que tem investido sua energia. Olhe para dentro de si mesmo, reflita sobre os seus valores, procure observar a maneira como reage diante dos desafios.

A resposta está aí, dentro de você. O sucesso é conseqüência de um trabalho especial. Se você faz o que todo mundo faz, chega aonde todos chegam. Se você quer chegar a um lugar aonde a massa não chega, precisa fazer algo que a maioria não faz.

Ser um profissional especial é ser aquele que consegue definir o jogo a favor de seu time. Aquele que tem a marca registrada de seu trabalho.

Existem habilidades que garantem sua presença na partida e competências que o transformam numa pessoa especial. Se somente a garra definisse o resultado de uma partida, os times uruguaios seriam vencedores de todos os campeonatos que disputam. Infelizmente, para eles, é claro, a garra tem de ser acompanhada de habilidades que garantam a vitória.

Sem dedicação, um profissional dificilmente terá emprego ou um empresário, um negócio bem sucedido. Por outro lado, se só tiver garra, vai ficar patinando. No mundo moderno, trabalhar muito não é o bastante para criar o diferencial que um vencedor precisa. Já não se trata de uma questão de vestir a camiseta da empresa.

Um empreendedor ou líder de sucesso tem seu radar sempre ligado para detectar as ameaças, as oportunidades e, sobretudo, os sonhos das pessoas. Vá à luta. Tenha a coragem de enfrentar o desconhecido, pois esse é o único terreno onde podem surgir as vitórias que valem a pena.

O empreendedor não se contenta em ficar observando o jogo da arquibancada. Ele quer entrar em campo. O mundo de um empreendedor é infinito, como são ilimitadas as possibilidades de transformar as oportunidades em resultados.

O líder pra valer vive com empenho e paixão cada um de seus dias. Sabe batalhar cada momento de sua vida para conquistar o resultado desejado. Sabe pôr em ação todos os seus conhecimentos.

Roberto Shinyashiki
http://shinyashiki.uol.com.br/index.php/artigos-detalhe/53/seja-especial-na-competEncia
www.clubedoscampeoes.com.br

sábado, 10 de outubro de 2009

O perfil do profissional do século XXI



O mercado de trabalho exige cada vez mais dos profissionais, tanto para os que estão ingressando como também para os que já estão e pretendem permanecer nele. Este mercado tem mudado em várias de suas características: tamanho, distribuição geográfica, surgimento, diminuição ou até mesmo desaparecimento de algumas profissões, caracterização do vínculo empregatício, entre outras. Diante desse cenário, a necessidade de adaptação e absorção de novas competências (conhecimentos, habilidades e experiências) e a capacidade de percepção e flexibilização são cruciais.

O profissional do século XXI deve possuir muitas características, entre elas, empreendedorismo, resiliência, pró-atividade, liderança energizadora, percepção, comunicação, persuasão, assertividade, criatividade, cultura, humanismo. Todas essas características têm sido muito requisitadas pelas empresas. Não se trata de ter profissionais supra-humanos, visto que, isso é impossível e tem levado muita gente a um nível de estresse muito grande. Trata-se de reconhecer seus potenciais, suas limitações e a partir daí, de forma equilibrada e estruturada, buscar o auto-desenvolvimento.

A tecnologia também tem sido cada vez mais importante na questão profissional. Independentemente da área do conhecimento, ela fornece a base conceitual necessária a uma evolução do pensamento e da análise. Atualmente, a utilização de ferramentas tecnológicas é um fator de diferenciação no mercado de trabalho. Compreender claramente o ambiente em que vivemos e suas correlações é fundamental para qualquer profissional, mas não devemos ser consumidores compulsivos dessas tecnologias e perder a noção da realidade. Os profissionais não podem ficar desatualizados com a evolução tecnológica devem saber usar essa ferramenta com sabedoria para gerar resultados efetivos.

Manter uma boa relação no ambiente de trabalho também é essencial no perfil do profissional. A produtividade, a criatividade, o sucesso da empresa e do profissional, e tantos outros fatores, dependem de um ambiente de trabalho saudável. Deve haver competição? Sim, deve. Um tipo à qual podemos chamar de coopetição. Isto é, uma competição pela melhoria, pelo sucesso, que aumente os níveis de cooperação, de integração, de ganhos para todos. Pode parecer um sonho, mas não é. É uma questão de mudança de paradigmas.

Creio que muitos já devem ter lido o livro 'O Monge e o Executivo' de James Hunt. Independentemente das questões de cunho religioso que alguns podem encontrar, Hunt aborda questões muito importantes para uma condução saudável de um relacionamento no ambiente de trabalho. Ele introduz um termo muito raro de ser encontrado nos livros destinados ao ambiente empresarial: o amor, visto aqui como respeito, consideração, acolhimento. Essa afeição significa ter respeito e cuidado pelas pessoas, pelo ambiente (incluso o meio-ambiente), pelos clientes, pelos fornecedores, pelo equipamento e até mesmo pelos concorrentes.

Outro ponto muito abordado é se os profissionais devem saber um pouco de tudo ou aprofundar-se num único assunto. Pode-se focar, prioritariamente, uma ou outra dependendo da profissão, da atuação profissional e até mesmo do momento de vida ou carreira. No entanto, num mundo globalizado e de mudanças rápidas, com conexões e competências cada vez mais complexas, é impossível adotar uma ou outra visão polarizada. Um bom exemplo disso é que muitas organizações contratam profissionais que oriundos da área de exatas para atividades financeiras ou administrativas, enquanto outras trazem profissionais das áreas de humanas ou artes para atuar junto a grupos altamente técnicos.

Gostaria de possuir uma bola de cristal para prever o futuro e dar boas dicas para os profissionais. Como não tenho, arrisco alguns conselhos: Faça o que você gosta e ame o que você faz. Seja dedicado, persistente, lute por aquilo que você acredita. Goste das pessoas, tenha humor e uma visão positiva da vida, mesmo naqueles momentos nos quais você teria todos os motivos para desistir. Trabalhe, trabalhe muito, mas trabalhe sabendo aonde você quer chegar. Defina um objetivo claro para sua vida pessoal e profissional, mas um objetivo bem definido, bem estruturado e suportado por um plano de ação. Você pode! Acredite nisso. Faça com que isso seja sua energia vital.

Luiz David Carlessi é consultor do IDORT/SP.

Fonte: InfoMoney

Há Coisas na Vida Que Nunca Retornarão


Há coisas na vida que jamais retornarão:

1. O tempo desperdiçado
2. As palavras não ditas por ser tarde demais
3. As ofensas que destroem
4. As oportunidades perdidas
5. Cada segundo de nossa vida
6. Um grande amor que faleceu e foi embora para sempre
7. Corrigir o passado
8. A saudade de algo que já não existe

Há coisas na vida que podem destruir uma pessoa:

1. O ódio no coração
2. O orgulho na alma
3. Não saber perdoar
4. O remorso
5. A falta de amor
6. A falta de fé
7. As cicatrizes deixadas em um coração
8. O carinho não dado ou recebido
9. A Falsidade
10. A Humilhação
11. Os erros cometidos

Há coisas na vida que você nunca deve perder:

1. A paz de espírito
2. A esperança no futuro
3. A honestidade com seu semelhante
4. Saber perdoar
5. Saber amar verdadeiramente
6. Doar-se de corpo e alma
7. Amar tudo ao seu redor
8. Dizer a verdade sempre
9. Saber a hora certa de silenciar

Há coisas na vida de maior valor:

1. O amor
2. A bondade
3. A família
4. Os amigos
5. A dignidade
6. A saúde
7. A vida
8. As realizações

Há coisas na vida que não são seguras:

1. O êxito
2. A fortuna
3. Os sonhos
4. O futuro
5. O amanhã
6. A própria Vida.

Sandra Regina da Luz Inácio

Você tem amor pela sua Empresa?


Recentemente tive a oportunidade de assistir a um show de dança folclórica e vibrei com a qualidade e a beleza do show. Conversando com o grupo, soube que, pouco antes de iniciar a apresentação, um dos principais integrantes havia praticamente arrancado a unha de um dos dedos do pé ao sofrer um pequeno acidente. Detalhe: o grupo dançou descalço. Soube que essas histórias de contusões são comuns entre os dançarinos. Alguns deles que tiveram acidentes durante a fase de preparação iam ao ensaio de muletas, com a perna engessada ou até mesmo de cadeiras de rodas, mas não perdiam os ensaios.
E por quê? Por que tanto empenho, comprometimento e entusiasmo? A resposta me parece óbvia: eles amam o que fazem, amam seu grupo, amam sua atividade.
Calma, calma! Ninguém quer que você venha trabalhar acidentado, ou mesmo que se acidente durante, antes ou após o trabalho. Não estamos falando daquele amor de cinema, poético, do amor que une os casais, etc. Estamos falando de dedicação, de comprometimento, de entusiasmo pelo trabalho, pela empresa na qual e para a qual trabalhamos.
Aquele grupo de dança sabia que havia uma platéia com mais de cinco mil pessoas esperando pela apresentação deles. Cada integrante sabia que sua presença no palco era importante, fazia diferença, embora fossem muitos. E cada um estava ali não por que era obrigado, e sim, por dedicação, por amor.
Bem, isso tudo é muito bonito quando se está dançando, quando se faz algo por lazer. Mas será que isso se aplica no trabalho?
Sim, se aplica. Os exemplos das empresas de sucesso mostram nitidamente isso. Quando trabalhamos com comprometimento (amor) pelo nosso trabalho, pela nossa empresa, nossos comportamentos mostram claramente isso.
O sucesso exige dedicação, esforço, concentração. Costumamos aplaudir o campeão quando ele ganha o troféu. Dificilmente alguém olha o tempo que ele investiu para melhorar cada detalhe, para trabalhar cada movimento. Os profissionais e as empresas de sucesso agem da mesma forma. Trabalham com qualidade cada vez melhor, buscando melhorias contínuas. Isso vale para o trabalho em equipes focada no sucesso do todo e não no individual; na luta pela posição no mercado frente à concorrência; no equilíbrio da utilização racional e emocional para realização do trabalho;na pró-atividade; no entusiasmo para a realização das atividades cotidianas, enfim, traduzindo a palavra “entusiasmo”, que vem da palavra grega “En Theos”, “ter Deus dentro de si”. Precisa dizer mais alguma coisa?
Podemos aprender muito com um grupo de dança. Também podemos ensinar muito. Depende como cada um de nós se posiciona,de como nos comprometemos com a empresa, com o trabalho, com os colegas e com o cliente. Depende de como cada um de nós coloca amor naquilo que faz.

David Carlessi é consultor do IDORT/SP
Fonte: Dica Corporativa / Estado de São Paulo

Frase para pensar: "equipe: indivíduos somados e não soma de indivíduos".

Retornamos Sempre Para Casa, Não Para um Lar


Percebo nos rostos cansados, desanimados ao final de um dia duro de trabalho, suor, aguentar clientes arrogantes, humilhações, etc. e estamos loucos para voltarmos para casa.
Quando estamos no trabalho, gostaríamos de estar em casa. Mas será que sua casa é um lar?
Com a cabeça cheia com nossos pensamentos em cumprir as obrigações, preocupações e tentarmos preencher o vazio que há em nosso coração, assim voltamos para casa.
Finalmente ao chegarmos e fecharmos a porta nos deparamos com a nossa verdadeira realidade. Realidade esta que nem sempre contamos aos outros, e até mesmo escondemos de nós, consciente ou inconscientemente. A realidade que evitamos olhar profundamente, falar com a alma e amarmos de coração aberto.
Você olha para ela, as pessoas que nela estão (sua família), e por muitas vezes se pergunta: - Por que e por quem estou lutando? Tanto sacrifício por algo que talvez nunca aconteça, por sonhos que jamais serão realizados.
Para dar um bom futuro aos seus filhos.... sendo que não você não pode manipular o futuro, você pode ensinar, aconselhar e observar, o que ele será futuramente será fruto unicamente do que ele escolher e você não poderá escolher por ele.
Em seu casamento, você olha para a pessoa que deveria ser sua outra metade, no entanto ao invés de sentir-se acrescido, sente-se ainda menor, percebendo que o outro jamais poderia ser metade de você. O que precisamos não é de a metade de alguém e sim alguém que seja por inteiro, com o coração aberto, uma palavra amiga, um olhar carinhoso, a compreensão que não encontramos em lugar algum.
Olha para seus móveis, seu caríssimo quarto, sua cama e percebe que são lugares onde você deita seu corpo, mas sua alma não está lá... O que deveria servir de refúgio para suas tristezas, decepções e mágoas, serve apenas para descansar seu corpo, mas não as dores que você carrega no peito e na alma.
Para não sentir-se pior ainda, você se cala, olha a televisão, mas os olhos estão distantes. Tão distantes que você talvez jamais o encontre...
A grande maioria de nós nunca parou para pensar para onde voltamos todos os dias de nossas vidas: Para casa ou para um Lar?
O lar é um tapete de paz quando pisamos, guardado por um teto de esperança e por paredes de muito amor.

Um verdadeiro lar precisa ser construído e não comprado.

Sandra Regina da Luz Inácio
Lá onde o vento vai dar
Onde a nuvem beija o mar
Onde fica o fim do mundo
Onde o escuro é mais profundo

Eu estou a lhe esperar

Onde a pálpebra aconchega
Onde já fechou o bar
Na esquina da alameda
Na virada da vereda

Eu estou a lhe esperar

Água venha, água vá
Arda lenha, cave pá
Chova chuva, vire curva
Gire roda, quebre mar
Mude moda, sangre ringue
Pia pingue, ferva chá
Rua muro, role pedra
Mude lua de luar
Vou estar numa parada dessa estrada a lhe esperar

Eu estou a lhe esperar

Todo dia, toda hora, em qualquer lugar
Eu estou a lhe esperar
Todo dia, toda hora, em qualquer lugar
Eu estou a lhe esperar
Quando é que você vai chegar?

Arnaldo Antunes

Do amor conheci todas as ausências...
todas as tolerâncias e todas as minhas carências!
No amor...descobri todas as harmonias
todas as fantasias e todas as suas alegrias!
Do amor eu encontrei toda a solidão...
toda a paixão e toda a minha salvação!
No amor distingui todos os prazeres
e todos os dizeres e todos os seus deveres.
Do amor eu conheci todos os queixumes...
todos os seus perfumes e todos os meus ciúmes!
No amor eu vivi todos os delírios...
e todos os martírios;
todos os beijos e todos os nossos desejos!
No amor derramei todas as lágrimas...
declarei todas as máximas!
também encontrei todas as flores
com todos seus odores!
No amor deparei com todos os mistérios
e todos os seus critérios!
E todos eu levei...apaixonadamente...a sério!

Do amor desvendei todas as mágicas...
usei todas as táticas e descobri todas
as cartas enigmáticas!
No amor encontrei toda ternura...
toda candura e todas as desventuras!
No amor encontrei toda a riqueza...
toda a leveza e toda a sua pureza!
Do amor percebi toda sua magnitude...
toda a sua juventude e toda sua inquietude!
No amor eu encontrei todos os sabores...
todos os calores e todos os dissabores!
No amor busquei tudo que ele nos traz :
todo bem que ele nos faz...
E de todo o seu Universo descobri a Paz

Marilena Frade
do blog Memórias de um Coração

Medo de Amar nº 3


Você diz que eu te assusto
Você diz que eu te desvio
Também diz que eu sou um bruto
E me chama de vadio

Você diz que eu te desprezo
Que eu me comporto muito mal
Também diz que eu nunca rezo
Ainda me chama de animal

Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo, é do amor
Que você guarda para mim
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo, é de você
Você tem medo, é de querer

Você diz que eu sou demente
Que eu não tenho salvação
Você diz que eu, simplesmente,
Sou carente de razão

Você diz que eu te envergonho
Também diz que eu sou cruel
Que no teatro do teu sonho
Para mim não tem papel

Você não tem medo de mim...

Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo, é de você
Você tem medo, é de querer

Me amar

Adriana Calcanhoto

sábado, 19 de setembro de 2009

B u q u ê d e R o s a s


Eu hoje amanheci sem meu sorriso.
Hoje estou triste sem saber porquê,
E uma saudade intensa de você
Põe-me a ficar assim, de sobreaviso.

Meu caminhar é lento, é indeciso
Quando minh'alma busca o que não vê,
E é neste estado que ninguém me lê,
Porque nem eu descubro o que preciso.

A casa é grande e o coração pequeno
Quando ao passado o meu pesar aceno
E sinto os pés em áreas pedregosas.

Quem colocou o fim fora de hora
Naquele amor que doce foi outrora,
Que feneceu como um buquê de rosas?

Silvia Schmidt

Hei de morrer em ti


Hei de morrer em ti, nesse teu corpo estranho
Num espanto feroz, feito de febre e fúria ,
Feliz pelo que tive, amante enquanto dure
A alta fonte do amor e seu limpo rebanho.

A tua alma assassina assistirá, contente,
A um sonho agonizante e por si só perdido
E, sonho do meu sonho, esse fim terá sido
Nada de verdadeiro, o falso de quem sente.

Morrerei nos teus olhos, morrerei nas memórias
Do teu mundo cabal, cadafalso de histórias ,
Rupturas, padrões , fábulas, ossos, chifres .

Sentirás o meu peso, isso que não sentiste
Senão como um olhar, talvez mau, talvez triste.
Serei por fim em ti, para que me decifres .

Renata Pallottini

domingo, 13 de setembro de 2009

Suspeitas que me quereis

Redondilhas de Luís Vaz de Camões

Trovas a üas suspeitas

Suspeitas, que me quereis?

Que eu vos quero dar lugar,

que, de certas, me mateis,

se a causa de que nasceis

vos quisesse confessar.

Que de não lhe achar desculpa

a grande mágoa passada

me tem a alma tão cansada

que, se me confessa a culpa, tê-la-ei por desculpada.

Ora vede que perigos

têm cercado o coração,

que, no meio da opressão,

a seus próprios inimigos

vai pedir a defensão!

Que, suspeitas, eu bem sei,

como se claro vos visse,

que é certo o que já cuidei;

que nunca mal suspeitei

que certo me não saísse.

Mas queria esta certeza

daquela que me atormenta;

por que em tamanha estreiteza

ver que disso se contenta

é descanso da tristeza.

Porque se esta só verdade

me confessa, limpa e nua

de cautela e falsidade,

não pode a minha vontade

desconformar-se da sua.

Por segredo namorado

é certo estar conhecido

que o mal de ser enjeitado

mais atormenta sabido,

mil vezes, que suspeitado.

Mas eu só, em quem se ordena

novo modo de querela,

de medo da dor pequena,

venho achar na maior pena

o refrigério para ela.

Já nas iras me inflamei,

nas vinganças, nos furores

que já, doudo, imaginei;

e já mais doudo o jurei

de arrancar d'alma os amores.

Já determinei mudar-me

pra outra parte com ira;

depois vim a concertar-me que

era bom certificar-me

no que mostrava a mentira.

Mas depois já de cansadas

as fúrias do imaginar,

vinha enfim a arrebentar

em lágrimas magoadas

e bem para magoar.

E deixando-se vencer

os meus fingidos enganos,

de tão claros desenganos

não posso menos fazer

que contentar-me cos danos.

E pedir que me tirassem

este mal de suspeitar

que me vejo atormentar,

ainda que me confessassem

quanto me pode matar.

Olhai bem se me trazeis,

Senhora, posto no fim;

pois neste estado a que vim,

para que vós confesseis

se dão os tratos a mim.

Mas para que tudo possa

Amor, que tudo encaminha,

tal justiça lhe convinha;

porque da culpa que é vossa

venha a ser a morte minha.

Justiça tão mal olhada,

olhai com que-cor se doura,

que quer, no fim da jornada,

que vós sejais confessada

para que eu seja o que moura!

Pois confessai-vos já' gora,

inda que tenho temor

que nem nest' última hora

me há-de perdoar Amor

vossos pecados, Senhora.

E assi vou desesperado,

porque estes são os costumes

de amor que é mal empregado,

do qual vou já condenado

ao inferno, de ciúmes!

Não te Amo


Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n 'alma – tenho a calma,
A calma – do jazigo.
Ai! não te amo, não.
Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida – nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.

Almeida Garret - Folhas Caídas
I

Meu bergantim, onde vens,
que te não posso avistar?
Bergantim! Meu bergantim!
Quero partir, Poemas que eu escrevi na areia ao mar...

Tenho pressa! Tenho pressa!
Já vejo abutres voando
além, por cima de mim...
Tenho medo... Tenho medo
de não me chegar ao fim.

Meus braços estão torcidos.
Minha boca foi rasgada.
Mas os olhos, estão bem vivos,
e esperam, presos ao Céu...

Que haverá p'ra além da noite?
p'ra além da noite de breu?

Ah! Bergantim, como tardas...
Não vês meu corpo jazendo
na praia, do mar esquecido?...
Esse mar que eu quis viver,
e sacudir e beijar,
sem ondas mansas, cobrindo-o...

Quem dera viesses já...
que vai ficando bem tarde!
E eu não me quero acabar,
sem ver o que há para além
deste grande, imenso céu
e desta noite de breu...

Não quero morrer serena
em cada hora que passa
sem conseguir avistar-te...
Com meu olhar enxergando
apenas a noite escura,
e as aves negras, voando...

II

Meu bergantim foi-se ao mar...
Foi-se ao mar e não voltou,
que numa praia distante,
meu bergantim se afundou...

Meu bergantim foi-se ao mar!
levava beijos nas velas,
e nas arcas, ilusões,
que só a mim me ofereci...

Levava à popa, esculpido,
o perfil, leve e discreto,
daqueles que um dia perdi.

Levava mastros pintados,
bandeiras de todo o mundo,
e soldadinhos de chumbo
na coberta, perfilados.

Foi-se ao mar meu bergantim,
Foi-se ao mar... nunca voltou!

E por sete luas cheias
No areal se chorou...

Alda Lara

sábado, 12 de setembro de 2009

Milho de Pipoca


A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens para que eles venham a ser quem devem ser.

O milho da pipoca não é o que deve ser.

Ele dever ser aquilo que acontece depois do estouro.

O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer.

Pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa.

Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca para sempre.

Assim acontece com a gente.

As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.

Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas.

Só que elas não percebem.

Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo.

O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos.

Dor.

Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o Pai , ficar doente, perder o emprego, ficar pobre.

Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão - sofrimentos cujas causas ignoramos.

Há sempre o recurso do remédio.

Apagar o fogo.

Sem fogo o sofrimento diminui.

E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer.

Dentro de sua casca dura, fechada em si mesmo.

Ela não pode imaginar destino diferente.

Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz.

Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: PUM! - e ela aparece como uma outra coisa completamente diferente que ela mesma nunca havia sonhado.

Bom mas ainda temos o piruá que é o milho de pipoca que se recusa estourar.

São aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente se recusam a mudar.

Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.

A sua presunção e o medo são a dura casca de milho que não estoura.

O destino delas é triste.

Ficarão duras a vida inteira.

Não vão se transformar na flor branca e macia.

Não vão dar alegria para ninguém.

Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada.

Seu destino é o lixo...

Do livro "O Amor que acende a lua" Editora Papiros

Escreve-me

Escreve-me! Ainda que seja só
uma palavra, uma palavra apenas,
suave como o teu nome e casta
como um perfume casto d'açucenas!

Escreve-me! Há tanto, há tanto tempo
eu te não vejo, amor! Meu coração
morreu já, e no mundo aos pobres mortos
ninguém nega uma frase d'oração!

"Amo-te!" cinco letras pequeninas,
folhas leves e tenras de boninas,
um poema d'amor e felicidade!

Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então...brandas...serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...

Florbela Espanca

Eu estou pedindo... "escreve-me".

Das Utopias

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!

Mario Quintana - Espelho Mágico

Os Degraus

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...

Mario Quintana - Baú de Espantos

TRADUZIR-SE


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Ferreira Gullar


Já há algum tempo que venho pensando e querendo gentileza.
Como tenho sentido falta de gentileza!
Aquela que chamo de gentileza urbana:
ceder o acento para uma pessoa mais idosa, mais cansada;
abrir a porta, seja do carro, do elevador, de casa, do bar;
ajudar com a bagagem, com as compras;
olhar nos olhos e dizer: bom dia, tenha uma boa tarde, por favor,
obrigada, seja bem vindo, volte sempre;
sorrir; ouvir; deixar passar; ceder a vez; oferecer..
Oferecer encanto, cortesia, graça.
Oferecer um beijo, um minuto de atenção...
Ultimamente, as pessoas têm se colocado tão sem tempo,
que esquecem de ser gente.
Esquecem que ser gente é ser carne, osso, alma e sentimento,
tudo isso ao mesmo tempo”

Adriana Falcão
Escreverás meu nome com todas as letras
Com todas as datas, e não serei eu
Repetirás o que me ouviste, o que leste de mim
E mostraras meu retrato, e nada disso serei eu
Dirás coisas imaginárias, invenções sutis
Engenhosas teorias, e continuarei ausente
Somos uma difícil unidade
De muitos instantes mínimos, isso serei eu

Cecília Meireles

Gosto tanto de você


Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido
Como uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer
Eu acho tão bonito
Isso de ser abstrato, baby
A beleza é mesmo tão fugaz
É uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer
Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer
Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido
Como uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer
Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer
Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
(eu vou sobreviver)
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

Lulu Santos

Nasci como quem não podia, não devia ou não estaria.
Rompi todos invólucros e me libertei.
Sou mulher e posso ser rocha, metal, seda,
ternura, ou ira, depende do momento.
Sou reverso, estou nas trevas quando me convém,
mas posso brilhar nesta escuridão.
Não me castro, sempre me dispo de seitas que me ofuscam,
tenho luz própria e a nada me oponho.
Sou gozos quando oportunos me são,
sinais normais escorrem de mim, só meus.
Posso ser instinto, ninfa perfeita, feiticeira,
prostituta, mãe, amiga, namorada, menina,
mas essencialmente mulher, pele, cabelos, boca, seios,
clitóris, libido, prazeres que não divido.
Posso me dar inteira,
insaciável e percorrer anatomias que não sejam minhas,
fazer escravos, ser abelha rainha.
Não, não me façam deusa, nem costela de adão,
minha maior magia é ser sempre e somente mulher.

Cida Souza